Nossa Coluna

ADEUS À PROFESSORA CLEA

Cléa, Professora Cléa, Dona Cléa era as diversas formas como era chamada Clea Bezerra de Melo Centeno. Filha do Dr. Ubaldo Bezerra de Melo e Haydee Monteiro Bezerra de Melo. Teve como Irmãos: João Augusto , Abelardo, Ubaldinho, Augusto, Zélia Maria, Célia, Maria Amália e Nísia.

Sempre nos encontrávamos no Salão de Anninha. Ela sempre bonita e vaidosa. Conversávamos amenidades, depois, calmamente, ela saía, pronta para suas visitas de final de semana. Quando dirigia, todos nós nos preocupávamos… Na última sexta-feira, lá estava ela, mais silenciosa, havia chegado de S. Paulo. Saiu com os cabelos bem cuidados e uma marrafa de tartaruga fazendo o charme. No sábado, ontem, recebi no meu Grupo a notícia de seu brusco falecimento dado pela sua sobrinha Beth Mariz. Fiquei triste e pensei como não sabemos o “NOSSO AMANHÔ.

SEU VELÓRIO será logo mais, às 19h30 ,na Rua São José e, amanhã, sua cremação, às 17h, em Emaús.

Foi tudo muito rápido. Não teve tempo de passar por tanto sofrimento. Transcrevo o que sua sobrinha Nice escreveu:

Minha tia que brigava com Deusinho

Teteia foi o apelido que, como primeira sobrinha, eu coloquei nela.
Meus contatos iniciais com os intelectuais de Natal, no fim da década de 60, com amigos presos, exilados, começaram ali, com ela e Tita!
Ontem, ela teve uma parada cardíaca e morreu! Pessoa incrível, filósofa, com mestrado e doutorado, professora de Filosofia na UFRN, e estudiosa sempre!

Um dia, na sua casa, perguntei, Teteia por quê tantos livros neste carrinho? Você tem uma biblioteca. E, de pronto, me respondeu, esses eu ainda não li! Eles só vão para lá quando eu termino! Sempre tinha uma novidade! Aprendeu informática para escrever o livro Dever de Memória, sobre a família Bezerra de Melo e sobre seu pai Ubaldo Bezerra de Melo! Com texto leve, seriedade e muito amor, narrou a vida de Seu Ubaldo de forma brilhante! Como filha mais velha, cuidou da família, sempre presente e generosa!

Todos os domingos, visitava minha mãe Maria Amália, ficava ao seu lado, de mãos dadas, conversava com ela e passava um pedaço com ela, como se diz no Nordeste. Ela era de uma teimosia sem tamanho, dirigiu até o final dos oitenta, era a pior motorista que conheci, e colecionava histórias sobre o tema, há uns três anos, bateu no carro de um garotão e o rapaz educado disse, a senhora devia estar em casa e não dirigindo por aí, Teteia não teve dúvidas, vai a merda!!!

Dirigia em São Paulo, sem passar a terceira! Não gostava de mudar a marcha! Os carros em sua mão andavam estrebuchando! Tinha terror de perder a carteira em cada exame que fazia para renovar a CNH. Era a sua forma de sair todas as tardes para arengar com Deusinho, em Areia Preta! Reclamava, pedia, rezava de seu jeito… Figura, deliciosa de conversar, com uma profundidade na medida! Ela me encantava, me fascinava com seu jeito, sua prosa, seu estar dentro do mundo e viver a vida!

Tchau, Teteia, muita paz e amor para você sempre!

Nivelai

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