Nossa Coluna

A POESIA DO FESTIVAL GASTRONÔMICO

Anualmente, Leila Cunha Lima realiza o festival reunindo amigos em Maracajaú. Os vencedores com sobremesas foram Manoel Onofre, em primeiro luga, e Ana Cláudia Porpino, em segundo. Os jurados eram Leila Lima, José Marcelo, Simone Silva, Thiago Cavalcante e Eliana Lima.

Mas, vejam a beleza da discrição da sobremesa de Undário. Um verdadeiro poema.

CONEXÃO BELÉM-NATAL

Participante deste festival gastronômico há mais uma década, sempre sonhava em trazer à prova deste seleto júri uma sobremesa que fosse para além dos sabores tradicionais de coco, chocolate, baunilha, massas folhadas, frutas vermelhas.

Para fugir do lugar comum e do previsível, trabalhei a ideia de harmonizar, numa única criação, uma sobremesa com aromas e sabores de duas cidades brasileiras. E foi a partir da compota e do mel do caju, do caju ameixa, da castanha do Brasil e do cupuaçu que nasceu o doce que ora vos apresento e que denominei de “Conexão Belém-Natal”.

Conexão, como o próprio nome diz, tem a ver com ligação, união, relação lógica e harmoniosa entre ideias, fatos. E porque não dizer, entre sabores. Mas, o ato de se conectar exige além de nexo, coerência. E foi este o cuidado principal da concepção deste prato.

A viagem que ora vos convido a embarcar traz em sua base um biscoito de manteiga com castanha do Pará, finas lâminas de compota de caju, imersa em mel de caju temperado com flor de sal. Sobre este ninho, que por si só já era o bastante, colocamos uma refrescante mousse de cupuaçu, escoltada por pingentes de chantily com perfume de caju, finalizando com uma neblina de castanha do Brasil finamente triturada.

A junção desses elementos de Belém e de Natal resultou num doce único, especial, afirmativo, com aromas e sabores bem identificados, e texturas que oscilam entre o biscoito da base e a cremosidade da mousse. 

Para harmonizar a exótica e porque não dizer afirmativa conexão de sabores entre Belém e Natal, os comensais poderão se refrescar com um “shot” da legítima ginja de Óbidos, dando assim um toque ancestral das nossas origens e da paixão brasileira pelos doces, que herdamos da pátria-mãe Portugal.

Por fim, a ideia de harmonizar Belém com Natal tem o propósito de preservar uma Brasil rico e primordial em seus exóticos sabores. Penso que acertamos! E se esta viagem tivesse um comandante de voo, certamente ele, de forma categórica, diria “Tripulação, cheque de portas! Aproveitem e apreciem esta doce conexão Belém- Natal!

Praia de Maracajaú, Verão de 2024.

José Undário Andrade

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