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PREFEITURA DE NATAL ANUNCIA R$ 21 MILHÕES CONTRA ALAGAMENTOS

A Prefeitura de Natal determinou nesta quarta-feira (13), a abertura de uma concorrência pública para um projeto complementar de saneamento na Praia de Ponta Negra. Avaliada em R$ 21 milhões, a iniciativa prevê a construção de três reservatórios de detenção e infiltração, buscando solucionar de forma definitiva os persistentes problemas de alagamento que afetam a faixa de areia em períodos chuvosos, uma questão levantada por relatórios do Ministério Público Federal e uma ação judicial. Esta medida visa a devolver aos moradores e turistas a plena dignidade de usufruir de um dos cartões-postais da cidade sem os transtornos causados pelos “espelhos d’água”.

A publicação do edital da concorrência no Diário Oficial do Município na mesma quarta-feira, 13 de maio de 2026, marca o início do processo, com a abertura das propostas agendada para o dia 27 de maio de 2026.

O anúncio da nova etapa do saneamento ocorreu durante uma coletiva de imprensa, convocada pela gestão municipal em resposta aos questionamentos do Ministério Público Federal (MPF). O órgão e uma ação judicial apontavam falhas e carências no sistema de drenagem existente, implementado após a engorda da praia.

Conforme explicou Shirley Cavalcanti, secretária municipal de Infraestrutura, o desenvolvimento do projeto das obras complementares teve início após a conclusão do aterro hidráulico, finalizado em 25 de janeiro de 2025.

“Tivemos o ano todo de 2025 com as ocorrências, onde todas elas foram estudadas e levantadas para que a gente pudesse avaliar quais seriam as melhores soluções”, detalhou a secretária.

Os novos reservatórios terão a função crucial de retardar a chegada da água do sistema de drenagem à praia, reduzindo a velocidade do fluxo e minimizando os temidos “espelhos d’água” – os alagamentos temporários que se formam na areia em dias de chuva. Isso representa um alívio para quem frequenta a praia, garantindo um ambiente mais seguro e agradável.

Durante a coletiva, a gestão municipal aproveitou para rebater alguns pontos contidos em um relatório técnico anexado à ação judicial do Ministério Público. O documento indicava a existência de tubulações interrompidas, canos expostos e estruturas bloqueadas no sistema de drenagem original.

A secretária Shirley Cavalcanti afirmou que não houve instalação de “tubulações falsas” ou interrupção indevida. Ela esclareceu que uma das tubulações questionadas no relatório havia sido desativada e reposicionada por razões técnicas, devido à maior contribuição de esgoto no ponto original, o que comprometia o funcionamento do dissipador.

Outro questionamento abordava a presença de materiais cobrindo saídas da drenagem. A prefeitura esclareceu que o material não era lona, mas uma manta geotêxtil, amplamente utilizada em obras de drenagem para retenção de areia sem impedir a passagem da água.

Sobre uma pedra encontrada dentro de uma tubulação, a secretária informou que o material fazia parte do enrocamento instalado atrás do dissipador e já foi devidamente retirado. Ela também salientou que as imagens usadas nos questionamentos eram de janeiro deste ano e que a situação atual da estrutura difere daquela retratada.

Thiago Mesquita, secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, reiterou que a obra foi executada conforme o projeto original, negando falhas no sistema implantado. Segundo ele, a formação de “espelhos d’água” após chuvas fortes já era prevista tecnicamente, em razão do grande volume de água que desce até a praia, originário de uma bacia de aproximadamente 400 mil metros quadrados.

“O sistema está sendo melhorado, mas continua com a mesma concepção”, explicou o secretário, apontando que as novas estruturas deverão reduzir o volume e a espessura dos alagamentos. No entanto, ele reconheceu que o fenômeno continuará ocorrendo em casos de chuvas acima de 60 milímetros, embora com menor impacto e maior capacidade de retenção.

O secretário defendeu, ainda, os resultados da obra de engorda da Praia de Ponta Negra, destacando que a ampliação da faixa de areia trouxe benefícios significativos para o turismo e para o uso da praia pelos moradores, valorizando um dos principais ícones da capital potiguar.

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