A iniciativa Nova Indústria Brasil (NIB), lançada em 2024, está impulsionando a modernização do setor produtivo do país, reunindo um volume expressivo de R$ 750 bilhões em linhas de crédito. A decisão, anunciada pelo secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, visa fomentar novas rotas tecnológicas e aumentar a competitividade da indústria brasileira. A importância reside na capacidade do programa de transformar o cenário econômico, com efeitos concretos já observados, como o aumento de 321% no volume de operações de crédito para inovação entre 2023 e 2025, em comparação com o período de 2019 a 2022.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 03/07/2026, em Brasília, durante a segunda edição do talk Brasil Industrializado – Inovação, Produtividade e Competitividade para a Nova Indústria, promovido pelo Metrópoles em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O evento contou com a participação de representantes de diversas entidades, incluindo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e a Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).

Uallace Moreira destacou que, entre 2023 e 2026, mais de R$ 50 bilhões foram projetados para inovação e tecnologia, com bilhões já contratados em projetos alinhados às missões da Nova Indústria Brasil. Um dos exemplos de sucesso é o Programa de Mobilidade Verde, que já atraiu mais de R$ 190 bilhões em investimentos privados para o desenvolvimento de novas rotas tecnológicas em descarbonização.
O assessor especial da presidência da ABDI, Jackson de Toni, ressaltou o processo de reestruturação industrial do país, apoiado por políticas públicas eficazes. “Nós temos números muito positivos na economia brasileira recente”, afirmou, citando as exportações de US$ 350 bilhões no ano anterior. Para garantir a efetividade dessas políticas, o MDIC, em parceria com a ABDI, lançou a plataforma Investe Indústria Brasil. O ambiente digital centraliza as principais linhas de financiamento do BNDES, Finep e Embrapii para o setor produtivo, com foco inicial em projetos agroindustriais, especialmente fertilizantes, visando reduzir burocracia e facilitar o acesso ao crédito.

Apesar dos avanços em crédito e inovação, a qualificação profissional e a produtividade continuam sendo gargalos. O gerente de Negócios de Inovação e Tecnologia do Senai, Maicon Lacerda, apontou que a produtividade brasileira é cerca de metade da média dos países da OCDE, em grande parte devido à escassez de mão de obra qualificada. Paula Nardai, gerente de Desenvolvimento e Inovação Industrial da CNI, corroborou a afirmação, destacando que a formação de pessoas é crucial para que a inovação se traduza em produtividade e competitividade.

A inteligência artificial emerge como uma aposta estratégica para o futuro da indústria brasileira. O governo busca posicionar o Brasil como polo de investimento em infraestrutura digital, aproveitando a matriz energética limpa. O programa Redata, em tramitação no Congresso, prevê incentivos fiscais para a instalação de data centers, com potencial para atrair R$ 2 trilhões em investimentos em dez anos. O objetivo é desenvolver não apenas a infraestrutura, mas toda a cadeia produtiva nacional associada à IA.
Em setores específicos, como a construção civil, o MDIC e a ABDI lançaram o programa Construção 4.0 – BIM na Prática. A iniciativa oferece consultoria para pequenas e médias empresas implementarem a metodologia BIM (Building Information Modeling), visando aumentar a produtividade e acelerar a adoção de tecnologias digitais. O projeto-piloto, com investimento de R$ 1,9 milhão, atenderá até 60 empresas em oito estados até 2027.



