A Cia de Dança Deborah Colker apresenta o espetáculo “Cão Sem Plumas” no dia 20 de março, às 21h, no Teatro Riachuelo. Bailarinos cobertos de lama num espetáculo que trata da miséria e da destruição da natureza. É o que se verá em “Cão sem Plumas”, o novo trabalho de Deborah Colker. A coreógrafa jamais fizera nada sequer semelhante nos 23 anos de sua companhia – que conta, desde 1995, com o patrocínio da Petrobras.
O poema homônimo, publicado em 1950 e um dos mais importantes da obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), leva Deborah e seu grupo ao meio da pobreza e da riqueza do Estado de Pernambuco, no Nordeste brasileiro. Um ambiente bem distante da Rússia de Tatyana (2011) e da França de Belle (2014), os últimos balés da companhia. E com uma linguagem que não faz lembrar os trabalhos da coreógrafa que tiveram maior repercussão internacional: O Ovo, realizado em 2009 para o Cirque du Soleil; e a abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.
Na criação de “Cão sem Plumas”, Deborah tem um parceiro: o cineasta pernambucano Cláudio Assis, diretor de filmes marcantes como Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato. Imagens captadas por ele serão projetadas durante o espetáculo – não como pano de fundo, mas como parte fundamental da narrativa. Outros artistas de Pernambuco têm presença decisiva no projeto, como os músicos Jorge dü Peixe, do grupo Nação Zumbi, e Lirinha. Eles são responsáveis pela trilha sonora – ao lado de Berna Ceppas, habitual parceiro da coreógrafa – e interpretam trechos do poema.
No balé, aparecem personagens que são fundamentais para este trabalho de Deborah: os homens-caranguejo, pessoas que vivem e trabalham em torno do mangue no Estado de Pernambuco. “Essas pessoas são guerreiras, fortes, resistem. O mangue é a comida delas. A lama é a casa delas. Vejo quase como samurais”, diz a coreógrafa, que concebeu, para a montagem, figuras que evocam guerreiros, como se as patas dos caranguejos fossem espadas. “O poema é o encontro da exuberância com a tragédia, da riqueza com a miséria.”



