A desembargadora carioca Marília Castro Neves – a mesma que afirmou em redes sociais que a vereadora Marielle Franco estava “engajada com bandidos” –, voltou a utilizar a mídia digital para, desta vez, desdenhar e fazer pouco caso do exercício profissional da professora norte-rio-grandense, Débora Araujo Seabra de Moura, a primeira professora com síndrome de Down do país, que ficou nacionalmente conhecida ao romper o preconceito lutando e mostrando o poder de transformação da inclusão. Na postagem, a magistrada tripudia da educadora: “Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem??? Esperem um momento que eu fui ali me matar e voltou já, tá?”, escreveu.

A professora Débora Seabra escreveu uma carta destinada à desembargadora, onde explica que ensina muitas coisas às crianças, entre elas, a ser educadas e a aceitar as diferenças de cada pessoa. “Não quero bater boca com você! Só quero dizer que tenho síndrome de Down e sou professora auxiliar de crianças em uma escola de Natal (RN)”, começa a carte de Débora (…) Eu ensino muitas coisas para as crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma, ajudem a quem precisa mais. (…) O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito porque é crime. Quem discrimina é criminoso”, escreveu a professora.

Familiares de Débora – ela é filha da advogada Margarida Seabra e do médico psiquiatra José Robério – e amigos estão diligenciando no sentido de denunciar a desembargadora ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Débora Araújo Seabra de Moura tem 36 anos e trabalha há 13 como professora auxiliar na Escola Doméstica de Natal. Ela é ainda autora de livro infantil chamado “Débora Conta Histórias”, lançado em 2013. Em 2015, recebeu o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação em Brasília.
Pela pessoa e profissional que é, pelas conquistas que alcançou até agora, Débora merece de nós todo o respeito e a admiração. Que continue a brilhar ignorando aqueles que são pobres de índole e de espírito. Somos todos Débora!



