O Google homenageia nesta sexta-feira, 19, o aniversário de 96 anos da potiguar Dona Militana, cantora e contadora de histórias nascida em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal. Conhecida como a maior romanceira do Brasil, Militana Salustino do Nascimento, que faleceu em 2010, mantém uma vasta memória de contos e versos que permanecem viva no imaginário popular.
A ilustração que celebra os 96 anos do nascimento de Dona Militana é assinada pela artista Bel Andrade Lima e está disponível em forma de Doodle na página inicial do motor de buscas. Militana Salustino do Nascimento nasceu no sítio Oiteiros, na comunidade de Santo Antônio dos Barreiros, em 19 de março de 1925, filha do Mestre do Fandango, Sr. Atanásio Salustino do Nascimento e de Maria Militana do Nascimento.
Aos sete anos já trabalhava na roça, plantando mandioca e feijão. Apesar de analfabeta e de ser proibida de cantar pelo seu pai, foi no campo que memorizou os romances, que a tornaram conhecida em todo o país. O dom do canto ela herdou do pai, Atanásio Salustino do Nascimento, outra figura folclórica de São Gonçalo do Amarante. Na memória, Militana guardava, por tradição oral, um considerável acervo, o que fez dela uma enciclopédia viva da cultura popular. Além de romances, Militana cantava modinhas, coco, xácaras, moirão, toadas de boi, aboios e fandangos. Cantava seus romanceiros numa cadência que lembrava o cantochão, com ritmo baseado na acentuação e nas divisões do fraseado.

Outros romances, como “Nau Catarineta”, traziam poesias de terras distantes, desconhecidas, lugares por onde Militana navegava com a memória e a imaginação. Reconhecimento Na década de 1990, o folclorista Deífilo Gurgel conheceu os cantos de Dona Militana e permitiu que o país inteiro conhecesse o talento dela. A romanceira chegou a gravar um CD triplo intitulado “Cantares”, lançado em São Paulo e Rio de Janeiro. Críticos e jornalistas se renderam aos encantos e a peculiaridade da voz de Dona Militana. Em setembro de 2005, ela recebeu das mãos do então presidente Lula a Comenda Máxima da Cultura Popular, em Brasília. Mas o reconhecimento financeiro para esta festejada romanceira só veio em 2009, com o Projeto de Lei Complementar encaminhado pelo então prefeito de São Gonçalo, Jaime Calado, e aprovado pela Câmara Municipal do município que concedeu uma pensão vitalícia.



