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MORRE O FOTÓGRAFO JAECI EMERENCIANO GALVÃO

Faleceu neste domingo (19), às 22h, o fotógrafo Jaeci Emerenciano Galvão, aos 87 anos, de causas naturais. Um gigante das nossas melhores imagens potiguares. Eu era fã desde criancinha. Fez os primeiros cartões postais de Natal coloridos. Lembro que todas as noivas ele fotografava, punha a melhor foto na vitrine do seu estúdio na João Pessoa. Foi ele quem fez a primeira foto colorida do Hotel Reis Magos. Fez também a cobertura do lançamento do 1° foguete da Barreira do Inferno.

Ele era um dos mais queridos e renomados fotógrafos potiguares, calcando seu nome da história da fotografia do nosso estado e serviu de inspiração para diversos profissionais da área ao longo das gerações. Em dezembro passado, havia sido internado em um hospital particular de Natal, após sofrer um AVC. Por conta da idade, o estado de saúde dele inspirava cuidados.

Com suas lentes afiadas, Jaeci registrou a “Natal de ontem”, captando imagens do cotidiano na capital potiguar na década de 1940, inclusive durante a Segunda Guerra Mundial. Ele mantinha um dos acervos particulares mais completos da cidade, como praias, monumentos históricos, principais ruas e avenidas, acontecimentos políticos e sociais e peculiaridade da cena urbana.

O corpo está sendo velado no Centro de Velório, na rua São José, em Lagoa Seca, e o sepultamento será às 16 horas no cemitério Morada da Paz.

Jaeci Emerenciano registrou os momentos mais importantes da cidade e da tradicional sociedade natalense. Ele deixa sua marca em nossas lembranças. Foi um amante das velas, tornando-se grande Comodoro do Iate Clube de Natal.

Minha solidariedade à família!

Jaeci e sua inseparável câmera fotográfica (Foto: Alberto Leandro)

Um pouco mais sobre Jaeci:

Jaeci Emerenciano Galvão nasceu em Natal, no dia 5 de julho de 1929, filho de Jaime e Cecília. Seu pai, Jaime Coelho Galvão, trabalhou na coletoria pública do município da Penha, hoje Canguaretama. Residiram, nesse município, por 10 anos e depois retornaram a Natal, para o pai de Jaeci exercer o cargo de fiscal aduaneiro da alfândega. E, Cecília Emerenciano Galvão, sua mãe, foi uma mulher a frente de sua época. Jaeci, da mãe herdou todo o empreendedorismo e o gosto pelos negócios.

A escolha profissional veio sob grande incentivo da mãe de Jaeci, que preocupada com o futuro do filho, observou a sagacidade com que o menino manejava a máquina fotógrafa do pai e cogitou a profissão de fotógrafo. Como relembra sua irmã: “Papai tinha uma máquina, ele começou com a máquina de papai e tio Alphéo, ajudou depois”.

Autorretrato (Foto: arquivo)

 

Jaeci objetivava comprar um bom equipamento e com o apoio da sua mãe montou uma sorveteria. Nesse empreendimento, era responsável pela fabricação dos sorvetes e organizava um grupo de garotos para a venda nas ruas e nas praias de Natal. Logo, quando Jaeci tinha seus 15 anos, seu tio Alphéo, militar, em uma viagem de retorno à Natal, lhe apresentou um marinheiro que comercializava máquinas fotográficas e outras mercadorias. Entre as máquinas que estavam disponíveis, havia uma Voiitlender Baby Bessa, de origem alemã. Nessa câmara, Jaeci viu à oportunidade de profissionalizar o seu trabalho na fotografia, era uma das máquinas mais modernos da época. A irmã Terezinha, afirma que a responsabilidade e a vontade de trabalho, sempre cercou a vida de Jaeci. Muito cedo abraçou os deveres profissionais e familiares.

O trabalho desenvolvido por Jaeci Emerenciano Galvão, “o fotógrafo dos artistas”, elaborou uma narrativa visual da cidade de Natal. As projeções e perspectivas visuais paisagísticas de suas imagens nos cartões-postais cruzam os anos de 1940 a 1980 e inscrevem esses espaços na memória coletiva. As produções fotográficas de Jaeci encenam a cidade em seu crescimento urbano. E o fotógrafo além de ser autor de um dos mais completos acervos iconográfico da cidade, é a memória viva de um período singular da história de Natal.

 

Com informações da Agência Fotec

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