Nossa Coluna

O JOVEM CAPELÃO CRESCEU E SE FEZ MONSENHOR…

A história do sacerdócio de Padre Lucas é fortemente ligada a história da paróquia de Santa Terezinha e Nossa Senhora das Graças. Não tem como escrever a história da igreja sem ELE, o, hoje, Monsenhor Lucas Batista, a um passo de festejar seus 50 anos de sacerdócio, no ano do Jubileu da paróquia.

Aqui chegou muito jovem. Após 3 anos consagrado padre, foi convidado, no mês de abril, após a Semana Santa de 1972, pelo arcebispo Dom Nivaldo Monte, para compor a equipe das Paróquias Integradas, formadas pela Catedral Metropolitana e Igreja De Santa Terezinha e Nossa Senhora das Graças. Essa equipe era formada pelo quinteto Dom Costa, Monsenhor Assis, Monsenhor Agnelo, Padre Oto e Padre Lucas Batista que se dividiam nas atividades da diocese.

Seu acolhimento e posse foram festivas, durante um jantar no Clube ASSEM, promovido pelo Conselho Pastoral, que era formado pelos casais que frequentavam as igrejas.

Trabalharam junto por dez anos, e no ano de 1979 aconteceu a primeira grande mudança com a dissolvição da equipe, sendo substituído pelo Padre Hudson Brandão. Como trajetória na vida do sacerdócio, o Padre Lucas foi se preparar para o crescimento religioso, foi estudar em Roma, onde ficou por um ano e meio.

Ao voltar, o Padre Hudson Brandão lhe fez uma proposta de dividirem o trabalho, ele ficando com a Catedral e o Padre Lucas com a Santa Terezinha. Proposta aceita…

A Casa Paroquial que existia na igreja foi decisiva para que o Padre Lucas não pensasse duas vezes. Sempre muito família e agregador, ele precisava da residência para acomodar sua família, vinda do interior e morar em sua companhia. Claro que não ficou por muito tempo, a família grande, muitos irmãos e o entra e sai, o fizeram optar por morar sozinho. Ele precisava do sossego!

Ao ser indicado vigário da Igreja de Santa Terezinha e Nossa Senhora das Graças, recebeu também o ECC (Encontro de Casais com Cristo) e foi com esse grupo que iniciou o trabalho de dinamização paroquial. Após 10 anos como Vigário Paroquial, em 1980, foi nomeado Pároco onde permaneceu por 25 anos.

A falta de receptividade dos fiéis com um comportamento muito frio, fez com que em 1982 ele criasse a PASTORAL DA VIZINHANÇA, formando uma paróquia residencial e aos poucos foram se tornando mais comunicativos e com uma dimensão comunitária. Ele ia conseguindo conquistar e integra-los nas ações da igreja.

Tudo mudou ao ponto de um dia ele comentar com Dom Tavares a inquietação e o barulho produzido pelos fiéis e teve como resposta “Lucas, o povo falando é sinal que tem vida de comunidade”… É a Igreja Viva.

Em todo esse trabalho foi fundamental a participação dos leigos. Assim ele foi crescendo, tornando-se querido e desenvolvendo uma grande união na comunidade católica do Tirol ao ponto de muitos padres viverem lhe perguntando quando sairia da Santa Terezinha.

Nos seus 10 anos de pároco, os paroquianos promoveram um jantar comemorativo e nesse momento com o salão lotado, ele aproveitou para entregar a Paróquia à Dom Heitor que tinha assumido como Arcebispo Metropolitano.

Ao falar agradecendo e prestando contas, enaltecendo o trabalho dos leigos que foram seus grande suportes, ele sugeriu que a paróquia fosse entregue aos leigos todos eram muito bem preparados e ele seria o PIONEIRO, assim como seu irmão Dom Eugenio, no Rio de Janeiro, quando criou a PARÓQUIA DAS VIGÁRIAS formada pelas religiosas. Nesses casos os padres na igreja têm a participação apenas na celebração das missas e nas confissões.

Foto: Vlademir Alexandre/No Minuto

Teve como resposta o silêncio e a permanência à frente da Paróquia de Santa Terezinha e Nossa Senhora das Graças por 25 anos. E nunca mais seus “amigos padres” lhe voltaram a fazer a pergunta de quando sairia?!!!!

Seguindo o lema “A PARÓQUIA NÃO É DO PADRE, SOMOS OS PASTORADORES”, ele, junto com os leigos, conduziu a igreja criando os MOVIMENTOS, PASTORAIS e SERVIÇOS que têm até hoje, graças aos seus sucessores os Padres Robério e Charles, que deram continuidade e fizeram prosperar ainda mais.

Foto: Canindé Soares
Missa no Centro Avançado de Oncologia da Liga Contra o Câncer

Seu “carro-chefe” foi o ECC e depois foram criados o EJEC e EJAC que atendia aos adolescentes, o EPAC das crianças, o BOM PASTOR para casais em segundas núpcias e por fim o EC que reúne os solteiros, desquitados e viúvos acima de 35 anos. Serviços que unem todas as faixas etárias com vez e participação na paróquia.

Um dos movimentos mais importantes foram as PASTORAIS MISSIONÁRIAS que levou leigos durante cinco anos as comunidades distantes e mais pobres. Com os leigos do ECC e SEGUE-ME realizaram um belo trabalho criando comunidades vivas e para as quais construíram oito capelas; outro foi o Movimento MÃE RAINHA, com a MÃE PEREGRINA que percorria as residências no mês de maio e encerrava no dia 31 com uma grande procissão.

Amizade uma uma vida inteira

AS OBRAS

A transformação física da igreja foram muitas desde o teto com telhas francesas que deixavam infiltrar água nos tempos de chuva, os vitrais quebrados e com sinais de ferrugem… Aos poucos foi ampliando, tinha um muro lateral pela rua Apodi que foi tirado. A seu pedido, o amigo da igreja, e Arquiteto, Ubirajara Galvão projetou uma praça (entre a igreja e o salão) para acolher os fiéis. Reformou a Casa Paroquial e ampliou o Salão Superior. Fez a aquisição de uma casa para a Capela Rainha da Paz.

Uma das histórias pitorescas de sua vida está muito ligada as transformações que aconteceram nas obras da Igreja. Existia um jovem engenheiro Hudson, casado com Cristina, que em todas as missas assistia de pé junto da porta de entrada. Todas as vezes que passava a coleta ele maldava (confessado por ele), sempre criando expectativas do montante arrecadado. Sempre após a missa um destes participantes era chamado para a conferência. Chegou o dia de Hudson e no final a sua decepção com a arrecadação. A partir daí ele passou a integrar a equipe e foi o responsável por muitas obras. A mais importante foi a transformação de umas pequenas salas no SALÃO SUPERIOR que hoje acolhe todos os movimentos da paróquia.

OS CASAMENTOS E BATIZADOS

Ao longo dos 25 anos de sacerdócio e pastoreio na Matriz do Tirol ele realizou 17.048 batizados, famílias inteiras formadas por pais, filhos e netos. Casamentos? mais de 4.000 e algumas noivas deixadas à porta de igreja. (Risos)

Monsenhor Lucas na homenagem da Câmara Municipal aos 40 anos do Encontro com Jesus Cristo – ECC

Um dos grandes problemas era o atraso das noivas, até que um dia ele resolveu dar o troco, deixando a noiva a esperar, no calor da igreja e maquilagem derretida. Na época não tinha climatização. Sua fama se espalhou e elas nunca mais o deixaram plantado no altar. Certo dia, na Praia de Zumbi, encontrou uma dessas noivas, o casal já com três filhos, com o reencontro pazes feitas, o convite se estendeu e lá ele foi hóspede do casal no final de semana.

Monsenhor Lucas foi o celebrante do casamento de Raphael e Aline

Sem salão na igreja as reuniões que fazia com os noivos era no velho Kazarão (um bar ponto de encontro da cidade), onde aproveitava que já que a grana era curta, também para se deliciar com a sua cozinha, paga pelos noivos. “Muitos maldavam, e uma dessas fiéis aproveitou um dia e foi para junto para ouvir o que tanto eu falava. No final veio pedir perdão pois entendeu que alí estava orientando os jovens noivos” citou o padre.

“Nos batizados, pedidos estranhos como o de Raphael Correia que teve quatro padrinhos” ou, um outro, onde a família exigia que o padrinho fosse um jovem de 14 anos, o que não era permitido”. Ele sempre tinha um jeito a dar, e isso era a CARIDADE PASTORAL.

UMA GRAÇA ALCANÇADA

Essa pergunta que não queria calar e ele respondeu “Aconteceu comigo mesmo. Certo dia fiz a novena de Santa Terezinha, mas achava que ninguém me daria uma rosa. Eis que após a missa do domingo, uma senhora entregou umas flores para o funcionário e pediu que me entregasse. Alcancei a Graça, ganhei as rosas e nunca mais duvidei”.

“Não é à toa que sempre os fiéis estão agradecendo graças alcançadas. É preciso ter FÉ”.

Foto: Canindé Soares

AS BOA LEMBRANÇAS

“A festa, o cortejo e as relíquias no CENTENÁRIO DE SANTA TEREZINHA, os amigos que fizemos e o discernimento pastoral que nos aproximou. O café das 16h com torradinhas que unia os fiéis todas as tardes no salão”.

No ano de 2005 ele pediu afastamento e foi cumprir o ANO SABÁTICO no Eremitério, onde escreveu o livro “Diário de Um Ano Sabático” e lá ficou por um ano.

Hoje o Monsenhor Lucas Batista é Pároco Emérito da Igreja Santo Afonso e Ligório (Mirassol) e Capelão da Casa da Criança.

CELEBRAÇÃO PELOS 50 ANOS

O Monsenhor Lucas comemora seus 50 anos de ordenação presbiteral no neste sábado (26/09), às 16h, com uma missa em Ação de Graças na Igreja de São Pedro Apóstolo no bairro do Alecrim, onde ele foi ordenado. Os fiéis poderão participar do momento acompanhando virtualmente a celebração, através do Instagram: @paroquia_saopedro ou pelo Youtube: Paróquia de São Pedro Alecrim.

Essa matéria for escrita pela nossa editora, a jornalista Hilneth Correia, para ser publicada Revista dos 70 anos da Paróquia de Santa Teresinha

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