Hoje nos despedimos de 2020 e logo mais daremos boas vindas a 2021 com a esperança que é peculiar ao ser humano de projetar dentro de si a fé em dias melhores com o ano que se inicia.
Depois de um ano tão difícil em que vivemos uma pandemia mundial, com isolamento, perdas de pessoas queridas, distantes de quem amamos, essa virada de ano se torna ainda mais especial, pois é o momento de desejarmos que 2021 seja melhor, que venha a vacina para que todos nós possamos voltar á vida normal, com saúde e alegria junto dos nossos.
A cada raio de sol que anuncia o despertar de um novo ciclo anual é como se com ele nascêssemos novamente. Novos projetos são criados, novas atitudes e comportamentos são mentalizados. Embora, na prática, o primeiro dia naquele que chamamos de ano novo seja apenas a continuação do anterior, é da natureza humana a necessidade de crer no impalpável e esperar que algo mágico e cósmico aconteça.
O que de realmente sublime pode acontecer vem da força interior que passamos a cultivar a partir dessas crenças. O poder da mente e a fé que possuímos nos fazem chegar a lugares nunca antes sonhados e promover verdadeiras transformações. Portanto, sonhemos e façamos, pois a mudança reside dentro de nós.
Um 2021 cheio de novas possibilidades e renovação para todos! Mas, enquanto o novo ano não chega, reflitamos mais sobre o poder interior lendo este texto do poeta Carlos Drummond de Andrade:
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade




