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OBRA DE ANTÔNIO ROSENO DE LIMA É REVELADA PARA O RN NO FESTIVAL CORES DO INTERIOR

O norte-rio-grandense Antônio Roseno de Lima (1926-1998) saiu do sertão de Alexandria para São Paulo, nos anos 1940, e nunca mais voltou. Artista e fotógrafo autodidata, viveu anônimo de seu ofício entre a pintura e a fotografia da vida social popular numa cidade grande, até que nos últimos anos de vida foi descoberto por acadêmicos e alcançou um lugar em coleções da chamada Arte Bruta, em museus da Alemanha, Suíça, Campinas-SP. Sua vida e principalmente a obra começa a ser revelada através de uma articulação da Sociedade Amigos da Pinacoteca, que começou há mais de três anos e se concretiza este ano no “Festival Cores do Interior”.

O projeto, aprovado pela Lei Aldir Blanc do Rio Grande do Norte, possibilitou a aquisição de cinco obras do artista e a oportunidade de estudá-lo mais a fundo. A programação terá início dia 25 de maio, às 20h, de formato on-line, com a conferência do professor Doutor Geraldo Porto, da UNICAMP-SP, responsável pelo estudo de doutorado sobre o artista, com o tema “A Arte Bruta de Roseno: de Alexandria para o Mundo”. A exibição será realizada numa parceria da Sociedade Amigos da Pinacoteca e o Museu Câmara Cascudo (MCC). A mediação contará com o pesquisador e marchand Antônio Marques e o diretor do MCC, professor Everardo Ramos. A transmissão será pelos canais da Associação de Amigos da Pinacoteca e do Museu Câmara Cascudo no Youtube e Facebook.

No dia 22 de junho será realizado ainda o lançamento da exposição virtual pelos canais da Sociedade Amigos da Pinacoteca com obras de artistas representando os 150 municípios potiguares. Além da entrega da obra de Roseno adquirida com recursos da Lei Aldir Blanc via Governo do Estado.
No dia 30 de setembro, acontece a abertura do Salão Cores do Interior em Mossoró, com a curadoria de Dione Caldas, membro da Sociedade Amigos da Pinacoteca.

ARTE BRUTA

Antônio Roseno deixou a cidade de Alexandria aos 24 anos. Era um artesão e mal sabia assinar o nome. Em São Paulo aprendeu a arte da fotografia e costumava registrar casamentos e festas populares. Depois passou a pintar. A fotografia começou a ganhar intervenções do artista, assinatura e cores à mão.

“Ele viveu os últimos vinte anos na Favela “Três Marias” em Campinas, onde eu o conheci. Ali os seus vizinhos pensavam que éramos irmãos, pois nos achavam parecidos assim como artista, com uma experiência existencial concreta do fazer artístico da pintura”, escreveu Geraldo Porto em seu texto de apresentação.

O encontro com o professor Geraldo Porto aconteceu em 1988, em uma feira de artistas primitivistas no Centro Cultural da Universidade de Campinas. Desse encontro se estabeleceu também uma relação entre Roseno, sua esposa Soledade e o professor, o primeiro comprador de suas obras. “Fiquei tão fortemente impressionado com a singularidade de sua pintura que imediatamente desejei adquiri-las e conhecer o seu criador. Tive a nítida impressão de estar diante de um artista raro. Um dos quadros em exposição representava um carro de boi pintado sobre Duratex com esmalte sintético. As figuras desproporcionais e rígidas eram pintadas sobre um fundo vermelho com as frases pintadas ao redor: O carro de boi, condução de cem anos atrás”, contou o professor.

Assim suas obras estão preservadas na “Collection de L’Art Brut de Lausanne, na Suíça. O professor também doou uma coleção de pinturas para o Museu Haus Cajeth, em Heidelberg, na Alemanha, e uma grande coleção das suas melhores fotografias para o Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas.

O artista também está no livro L’art Brut de 2016, Editora Flammarion, Paris, de autoria de Lucienne Peiry. Suas obras têm sido comercializadas pelos galeristas Ricardo Trevisan em São Paulo, pelo Höchster SchloBplatz, em Frankfurt, na Alemanha, por Elen Tostes da Galeria Guia de Piracicaba.

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