Temos diversas as evidências de que a comida pode transportar ao
passado. O aroma do bolo recém-saído do forno juntamente com o
sabor de uma xícara de café coado faz a maioria das pessoas viajar
dentro de suas memórias afetuosas até a casa de suas mães, tias e
avós.
De fato, as lembranças das mãos que descascavam as frutas, mexiam
as panelas de doces e compotas ou confeitavam tortas e pavês, vêm,
inevitavelmente à tona, no momento em que as pessoas são expostas
ao aroma, ao gosto ou à simples menção de seus doces preferidos da
infância.
Foi a partir desses sentimentos e recordações que eu resolvi construir a
sobremesa “Pote de Afeto”. A ideia de apresentar o prato num “pote”
veio do sentido de algo precioso que permaneceu guardado e
protegido em nossas memórias. Mas, a certeza, que o seu conteúdo
pode ser aprimorado, reescrito, revisitado e ainda assim, manter sua
essência.
O nosso “Pote de afeto” constitui uma espécie de “Tiramisu revisitado”,
onde substituímos o café pelo cappuccino e o licor de café pelo licor
de amarula para umedecer os biscoitos. Acrescentamos um creme
suave de ovos ao perfume de baunilha, uma porção de caramelo
salgado e um creme de queijo Prima Donna, que produzimos com
raspas de limão siciliano. Para data o “topping” da iguaria, fizemos uma
“areia” de Oreo com uma suave neblina de Flor de Sal defumado.
A junção de todos esses elementos resultou num doce único, especial,
afirmativo, com sabores bem identificados e texturas que oscilam entre
o líquido da base e o crocante da cobertura.
O “Pote de afeto” vem escoltado por um café coado e um mix de
licores, para serem degustados em separado ou até mesmo regando o
pote, e assim ampliando mais ainda os afetos ali guardados – numa
demonstração clara e evidente de que a sobremesa pode sim, ser o
momento mais doce e afetivo do ato de comer, e porque não dizer, o
ponto alto de qualquer refeição.
Mangia che te fa bene!
Praia de Maracajaú, Verão de 2022.
José Undário Andrade
Com a publicação do texto memorável do grande campeão do festival de Maracaju, o Juiz Undario Andrade, trago para o portal a divulgação do evento que foi criado pela procuradora Leila Cunha Lima Almeida. Um evento apenas para amadores (quase todos da área jurídica), que tem a gastronomia como hobby ou paixão. Acompanhando, de longe, ao longo dos anos, nota-se que os candidatos se superam e o nível está pra lá de profissional.
Undário Andrade conquistou o tetracampeonato na categoria sobremesa, o bicampeonato no Júri popular dos convidados presentes e o bicampeonato geral na edição deste Verão. Receita perfeita e criatividade na composição. Ele deu show!!!!
Nesta XIV edição foram apenas três jurados: Leila Almeida, Elke Cunha e Gabriela Leite.
Parabéns Leila pela sua perseverança em ter realizado o festival nesse verão incerto. Agora é esperar o XV e a dupla de amigos fraternos Undário e Zé Marcelo realizar um petit comitê para que possa conferir suas delícias.
E assim começamos a semana e encerramos janeiro.









