Por Katarina Camarotti para a Forbes
O que reis, diplomatas e celebridades têm em comum em Genebra desde 1834? A resposta está às margens do Lago Lemán: o Four Seasons Hotel des Bergues. O edifício em estilo neoclássico passou por restaurações, incorporou diversas modernidades, mas conseguiu atravessar os séculos sem perder seu charme histórico, garantido por mobiliário refinado em tons suaves, detalhes sofisticados – e muitas obras de arte, claro, uma das principais marcas do grupo Four Seasons.
Não à toa, o primeiro hotel de luxo da cidade, com vistas fantásticas para o Jet d’Eau (o chafariz de Genebra) e para os Alpes no horizonte, ostenta cinco estrelas no Forbes Travel Guide. De cara, logo no lobby, o teto pintado à mão e os lustres de cristal funcionam como um impactante cartão de visitas. Os corredores revestidos em madeira nobre e carpetes exuberantes reforçam a sensação de se estar em um palácio.
Um lugar tão especial oferece gastronomia à altura: seja no cardápio italiano do restaurante estrelado Michelin Il Lago (entre os pratos assinados, experimente o Tagliatelle recheado com vitela e escarola), ou no Izumi, de culinária nikkei (fusão de ingredientes japoneses com técnicas peruanas) – aqui, abra os trabalhos com os tacos de lagosta e não deixe de provar o nigiri de wagyu, ouriço e caviar. Os pratos são preparados com extrema precisão, e o menu degustação é uma verdadeira jornada sensorial.

Destaque ainda para o spa na cobertura e para as suítes projetadas pelo conceituadíssimo designer de interiores francês Pierre-Yves Rochon – entre elas, palmas para a Royal Suite, com 170 metros quadrados, em tons bege, que, de tão bela e confortável, dificulta o hóspede a simples missão de sair do hotel para curtir o lugar supercosmopolita na esquina francesa da Suíça.
A cidade de Genebra respira elegância. É o berço de organizações internacionais, mas um paraíso para os amantes do luxo e da alta gastronomia. Basta atravessar a Ponte do Mont Blanc para alcançar a Rue du Rhône, endereço de uma série de joalherias (Tiffany & Co. e Van Cleef & Arpels) e das relojoarias mais desejadas do planeta: Patek Philippe, Rolex, Vacheron Constantin, Cartier, Audemars Piguet e Jaeger-LeCoultre. As grifes de moda também estão presentes, em peso: Hermès, Louis Vuitton, Gucci, Dior, Chanel, entre outras.

Compras feitas, hora de bater perna na Cidade Velha, onde se respira ares medievais, a começar pela Catedral de São Pedro, construída entre os séculos 12 e 13, em estilos romântico e gótico. A praça mais antiga da cidade – Place du Bourg-de-Four – está logo ali, com origens na época romana, cercada por casinhas dos séculos 16 ao 18, cheia de cafés que convidam ao deleite sem pressa.
A dica para esticar até uma atração longe da Cidade Velha é conhecer o Palácio das Nações, a sede europeia da Organização das Nações Unidas (ONU). É possível realizar uma visita guiada à Sala dos Direitos Humanos e ao Salão da Assembleia. O lugar mais fotografado, no entanto, fica do lado de fora: La Chaise Bancale. Obra do artista suíço Daniel Berset, a enorme cadeira com um pé quebrado tem 12 metros de altura e pesa 5,5 toneladas. Ela foi construída em 1997 para pressionar os líderes mundiais a assinarem o Tratado de Ottawa, que bane o uso de minas terrestres. Era para ser algo temporário, mas virou peça emblemática permanente.

Só Genebra já valeria a viagem, mas, nesse caso, ela serviu apenas como porta de entrada na Suíça. A jornada, de oeste a leste, segue para Gstaad – de trem, claro, afinal, trata-se do país com a malha ferroviária mais densa (e pontual!) do mundo.
Conto de fadas alpino
Localizada no cantão de Berna, no município de Saanen, Gstaad tem cerca de 2.200 habitantes e mescla o charme de uma tradicional vila alpina com a sofisticação de grifes internacionais. Encantadora tanto no verão como no inverno, esse extrato da cultura e da geografia esplêndida do país oferece uma propriedade (de novo, secular) que é ícone na hotelaria europeia: Gstaad Palace, que pertence ao selo Leading Hotels of the World. Aqui, vive-se um conto de fadas alpino.
Os pilares do local, que pertence à família Scherz há três gerações (desde 1947), estão diretamente ligados à expansão dos trilhos pelo país: inaugurado em 8 de dezembro de 1913, o hotel apareceu no mapa após se decidir por um desvio na linha ferroviária entre Montreux e Zweisimmen.

O Gstaad Palace abriu suas portas com 250 leitos em 165 quartos – 70 deles com banheiros privativos. Ao longo das décadas, com renovações dos quartos a cada 11 anos em média, o endereço se transformou em um dos mais desejados para os amantes do esqui. Atualmente (após a renovação de 2018), são 90 acomodações. O destaque fica com a Suíte Penthouse: 240 metros quadrados, vista de 360 graus para as montanhas, terraço de 150 metros quadrados com banheira de hidromassagem, 14 horas diárias de sol, sauna na torre, três quartos e elevador privativo.

Uma atmosfera de puro bem-estar é proporcionada pelo spa do hotel. As piscinas aquecidas interna e externa, com vista para as montanhas cobertas de neve, garantem uma experiência mágica no inverno. A externa, batizada de Piscine, nasceu em 1928. A renovação mais recente aconteceu em 2021. A Piscine (agora com um conceito gastronômico informal) virou o coração do Gstaad Palace no verão. A piscina coberta passou por renovação em 2022 e possui seu próprio bar.

A gastronomia do Gstaad Palace é outro destaque da estadia – a começar pelo restaurante de fondue La Fromagerie, construído no antigo bunker, onde um banco suíço armazenou barras de ouro durante a Segunda Guerra Mundial. A raclette é outro tesouro do cardápio (mas, se o assunto é fondue, não deixe de visitar o restaurante Berghaus Wasserngrat – a vista do terraço também não irá decepcionar). Para os fãs da cozinha italiana no Gstaad Palace, a dica é o Gildo’s Ristorante, que leva esse nome em homenagem ao maître Gildo Bocchini, que esteve no local por 47 anos.
O frisson de Gstaad, claro, está ligado às fantásticas condições de esqui (para todos os níveis) e aos visuais acachapantes das montanhas ao redor. E o Gstaad Palace fica pertinho do Glacier 3000 (um glaciar a 3 mil metros de altitude). São 25 quilômetros de pistas, entre elas a famosa La Combe (uma das mais longas da região, com 10 quilômetros). Para os experts, o desafio atende pelo nome Black Wall (uma das descidas mais íngremes dos Alpes). No verão, lá de cima é possível ver 24 picos acima de 4 mil metros. Outra aventura é cruzar a Peak Walk (a ponta suspensa mais alta da Europa, com 107 metros entre dois picos). Não é fácil deixar Gstaad, mas chegou a hora de seguir viagem para a etapa derradeira do tour suíço: St. Moritz.
A melhor vista do lago

A mais de 1.800 metros de altitude, equilibrada na crista de uma montanha, St. Moritz é preferência internacional desde o século 19, quando a aristocracia europeia e celebridades abriram os olhos aos panoramas espetaculares da região, com lagos cristalinos e montanhas cobertas de neve. O céu azul que protege St. Moritz também é digno de nota, e excepcionalmente ensolarado para uma estação de ski – são cerca de 322 dias de sol por ano. Por essas e outras, St. Moritz é pioneira como destino de inverno no mundo. E não há lugar melhor na cidade para se comprovar a exuberância do visual do que o Carlton Hotel St. Moritz, de apenas 60 acomodações, outro ícone da hotelaria suíça desde 1913 (mesma safra do Gstaad Palace), o auge do luxo alpino.
Em estilo Belle Époque, Carlton Hotel St. Moritz apresenta sua maior suíte na cobertura: 368 metros quadrados, distribuídos à perfeição em cinco varandas que descortinam uma vista incomparável de 360 graus do Lago St. Moritz e das montanhas ao redor. Esse mirante exclusivo ocupa todo o oitavo andar e disponibiliza aos hóspedes lareira na sala de estar e acesso por elevador privativo.

Na última década, a maior renovação na propriedade foi concluída em 2018, depois de ficar uma temporada de portas fechadas. O charme da fachada clássica foi preservado, mas houve uma ampla modernização no design de interiores, que combinou madeiras locais e pedras naturais com mobiliário de designers italianos e iluminação artística.
Recebeu a avaliação de Três Chaves pelo Guia Michelin, algo que só nove hotéis na Suíça têm. O norte da hospitalidade local está apontado para a valorização do tempo durante experiências excepcionais – atividades marcantes na natureza alinhadas a um serviço irretocável e uma arquitetura bem preservada.

O hotel dá acesso direto para as pistas de ski de Corviglia – lendárias no universo do esqui de luxo, onde o primeiro teleférico dos Alpes foi instalado, em 1935. São sonho de consumo para praticantes de todos os níveis: para os principiantes, há áreas suaves, como Salastrains, com instrutores particulares para celebridades; para os intermediários, pistas largas, como a Lagalb; para os experts, a Pista Olímpica e os corredores íngremes em Corvatsch.

St. Moritz sediou os Jogos Olímpicos de Inverno duas vezes. Em 1928, foi a segunda edição, após Chamonix 1924, com a participação de 14 países e a estreia da prova de Skeleton – o atleta se lança em um trenó e desce a pista de cabeça. Já as Olimpíadas de 1948 ficaram conhecidas como Jogos da Renascença, por serem as primeiras depois do fim da Segunda Guerra, com 28 países e o protagonismo do esqui alpino.

Na parte gastronômica, o restaurante Da Vittorio está de cara nova. Ele abre as portas após uma extensa reforma. Como antes, o novo interior foi projetado por Carlo Rampazzi, designer de interiores de longa data da Coleção Tschuggen. Saborear os pratos italianos autênticos, dos renomados irmãos Cerea, no entanto, requer atenção: reserve com antecedência. No Grand Restaurant, o chef Salvatore Frequente, da Sicília, tem cardápio inspirado na natureza de Engadina (vale no leste do cantão dos Grisões). Já o Bar Etage está entre os 44 melhores bares de hotel do Forbes Travel Guide.
Agora, não há o que dizer da vista do Carlton Sun Terrace – hora de esquecer o relógio e deixar a cabeça viajar no retrospecto desses dias incríveis vividos na Suíça – sem dúvida, um dos países mais lindos deste planeta.
Fonte: Forbes



