Você entra em um cômodo da casa e não lembra o que foi fazer lá. Ou tem a sensação de já ter vivido aquele momento, mesmo sabendo que nunca esteve ali antes. Também pode jurar que contou uma história para alguém, mas a pessoa garante que nunca ouviu aquilo. Essas situações, embora curiosas, são mais comuns do que se imagina e não são sinal de que há algo errado com a sua mente.
Segundo a psicóloga Verônica Lima, da Hapvida, esses episódios são manifestações naturais do funcionamento do cérebro e costumam ocorrer em momentos de sobrecarga ou distração. “Nosso cérebro é eficiente, mas não é infalível. Quando estamos cansados, ansiosos ou com muitos estímulos ao mesmo tempo, ele pode cometer pequenas falhas. Esquecimentos, confusões e até sensações de déjà vu fazem parte do repertório mental de todos nós”, explica.
O déjà vu, por exemplo, ainda é um fenômeno cercado de mistérios. A sensação repentina de familiaridade com algo que nunca aconteceu pode ser explicada por uma falha temporária no sistema de memória, que armazena aquela imagem como se fosse uma lembrança, mesmo que ela esteja sendo vivida pela primeira vez. “É como se o cérebro ‘atropelasse’ o presente e arquivasse a experiência como algo que já foi vivido. É desconcertante, mas inofensivo na maioria dos casos”, diz Verônica.
Outros “tropeços” mentais, como esquecer nomes, perder objetos recém usados ou repetir histórias, muitas vezes têm relação com a atenção. De acordo com a psicóloga, não é que a pessoa esteja com falha de memória, mas sim que a informação nem chegou a ser registrada de forma eficaz. “Se você está mexendo no celular enquanto guarda as chaves, por exemplo, seu cérebro pode não ter prestado atenção naquele ato, dificultando a lembrança depois. Não é esquecimento, é distração”, pontua.
Apesar de naturais, esses episódios merecem atenção quando passam a ser frequentes e impactam a rotina. “Se você começa a esquecer compromissos importantes, nomes de pessoas próximas, ou se confunde com tarefas simples do dia a dia, é hora de buscar avaliação profissional. Existem quadros de saúde mental e neurológica que podem causar prejuízos cognitivos mais sérios, e o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, orienta a psicóloga da Hapvida.
Para manter o cérebro saudável, Verônica reforça que é essencial cuidar da saúde mental como um todo: dormir bem, alimentar-se de forma equilibrada, praticar exercícios físicos e manter a mente ativa com leituras, conversas e desafios intelectuais. Ela destaca ainda que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Pequenos esquecimentos são normais, mas merecem atenção quando se tornam um padrão.



