Nossa Coluna

TRANSCREVO UNDARIO

Neste feriado, fui ao Midway assistir ao filme MICHAEL. Saí nas nuvens, porém, sempre decepcionada com a “educação“ da plateia. A grande maioria chega atrasada, se abuletam atropelando, balançam as pernas, incomodam os da frente e dos lados… Por isso prefiro, minha Netflix. Mas, o filme é lindo e seria perfeito se a plateia curtisse como se estivessem num dos shows. Eletrizante e uma senhora lição de vida…

Por isso, vou transcrever o texto escrito e publicado pelo meu amigo e juiz Undario Andrade.

Michael Jackson

TELA GRANDE – Hoje fui conferir a tão esperada cinebiografia “Michael”, que chega aos cinemas com a ambição de capturar não apenas o mito, mas sobretudo o homem por trás da lenda. E o faz com surpreendente equilíbrio entre grandiosidade estética e intimidade emocional.

Talentosamente representado pelo seu sobrinho, o ator Jaafar Jackson, o protagonista é retratado como uma figura de personalidade firme, quase obstinada, mas atravessada por uma sensibilidade rara. Há uma tensão constante entre controle e vulnerabilidade – elemento que sustenta o arco dramático do filme. Essa dualidade se intensifica na relação com o pai, marcada por exigência, rigidez e afetos mal resolvidos. Não se trata apenas de um conflito familiar, mas de uma engrenagem decisiva na formação psicológica do artista.

Constatei que o roteiro acerta ao não romantizar esse vínculo: expõe suas fissuras e mostra como delas nasce tanto a dor quanto a força criativa. É justamente nesse ponto que o filme encontra seu eixo mais potente – a construção de uma autoconfiança quase inabalável. A crença do protagonista em seu próprio talento não soa arrogante, mas necessária. E sobrevivência emocional convertida em arte.

Visualmente, o Michael do filme impressiona.

De fato, as cenas são ricas em detalhes, com uma direção do experiente Antoine Fuqua (Dia de Treinamento 2001), (O Protetor 2014-2023), (Nocaute 2015) e (Invasão a Casa Branca 2013), ele privilegia em “Michael” enquadramentos elegantes e uma paleta que dialoga com as diferentes fases da vida do personagem. Cada sequência parece pensada como um espetáculo em si, sem perder a coesão narrativa.
Mas, é na trilha sonora que o filme atinge o sublime.

Mais do que acompanhamento, a música é linguagem – traduz sentimentos, costura tempos e potencializa a experiência sensorial do espectador. O resultado é uma obra que emociona sem recorrer ao excesso e que reafirma, com vigor, o poder transformador dos sonhos quando sustentados por coragem e convicção. Confesso que vi um Michael inspirador da juventude. Obstinado e humano, que desde cedo já sabia onde estava e onde queria chegar.

Imperdível. Já quero ver novamente!

Bravíssimo!

José Undário Andrade – Juiz de Direito e crítico de cinema

To Top