O Rio Grande do Norte vai começar a realizar cirurgias de redesignação sexual por meio de planos de saúde. Os primeiros procedimentos estão marcados para acontecer ainda esta semana, em Natal. Quatro mulheres trans farão as cirurgias. Outras duas já estão em processo de validação, o que deve ocorrer ainda este ano.
Atualmente, apenas os estados do Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo realizam esse tipo de procedimento. Agora, o RN também passa a integrar a lista com a oferta das cirurgias de afirmação de gênero.
Em entrevista ao BNews RN, o médico urologista responsável pelas cirurgias, Correia Neto, explicou que os dois primeiros procedimentos acontecerão nesta quinta-feira (21), no Hospital da Unimed, e na sexta-feira (22), na Promater, ambos na capital potiguar.
Segundo o especialista, outras duas cirurgias já estão autorizadas pelos planos de saúde. “O fluxo pelo SUS ainda está sendo estruturado junto à Prefeitura e ao Estado, mas a cirurgia precisa ser ofertada tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, porque consta no rol da ANS”, afirmou.
Como serão as cirurgias
A cirurgia de redesignação sexual, também chamada de cirurgia de afirmação de gênero, faz parte do Processo Transexualizador e envolve acompanhamento psicológico, psiquiátrico e hormonal antes da etapa cirúrgica.
No caso das mulheres trans, o procedimento inclui a construção da vulva e do canal vaginal, conhecida como vaginoplastia.
Para realizar a cirurgia, é necessário ter mais de 21 anos e apresentar laudos médicos com acompanhamento mínimo de um ano com endocrinologista, psiquiatra e psicólogo.
“Os laudos reforçam a necessidade da cirurgia para melhora da qualidade de vida e da disforia genital”, explicou o médico.
“O procedimento leva, em média, entre cinco e seis horas. A recuperação ocorre em etapas, mas o retorno às atividades habituais costuma acontecer em cerca de dois meses”, acrescentou Correia Neto.
Como o procedimento integra o rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), tanto o SUS quanto os planos de saúde são obrigados a oferecer a cobertura, sem custos para as pacientes.



