De acordo com pesquisas realizadas recentemente, todo ano, 14 milhões de pessoas são diagnosticadas com câncer no mundo. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2016, foram diagnosticados aproximadamente 596 mil casos, apenas no Brasil. E este número tende a aumentar proporcionalmente com o crescimento da expectativa de vida. Infelizmente, a maioria destes novos diagnósticos se refere a tumores que já são invasivos, ou seja, formas mais avançadas de câncer, e que provavelmente vão exigir combinação de tratamentos cirúrgicos, radioterápicos e a temida quimioterapia.
A medicina tem avançado muito o que diz respeito ao tratamento do câncer, nas últimas décadas e a prova disso é que a taxa de cura, mesmo de tumores muito avançados, melhorou significativamente.
Em uma matéria exibida na revista Science Translational Research citada pela Revista Veja abordou resultados que podem significar a maior revolução na luta contra o câncer nas últimas décadas.O conceito é simples: já que os avanços no tratamento do câncer avançado são lentos e limitados pelas próprias características da célula cancerosa, porque não nos esforçamos para tentar detectar estas células enquanto o tumor se encontra em um estágio inicial?
O oncologista Thiago Rego explica mais sore o assunto. “Fragmentos de DNA de células que estão morrendo circulam no sangue. Precisamos de mais algumas décadas para desenvolvermos tecnologias sensíveis o bastante para provarmos que células cancerosas também liberam DNA no sangue, e que este DNA tem características diferentes do DNA de uma célula normal. A matéria relatou que é possível avaliar anormalidades em pouco mais de 50 genes que estão fortemente correlacionados ao câncer a partir de quantidades de DNA no sangue”, disse o médico e ressaltou que um grupo de pacientes que não tinha nenhum sintoma e que teve diagnóstico de câncer muito inicial, descoberto por acaso em exames de rotina teve amostras de sangue analisadas. Em 60% a 70 % deles (dependendo do tipo de câncer) os autores do trabalho identificaram defeitos nos genes analisados.
Com esses procedimentos é possível descobrir 70% dos cânceres mais comuns em estágio inicial, o que levaria a uma redução proporcional da mortalidade causada por estes cânceres.



