Artigo de Augusto Viveiros, Diretor-Geral da ALRN, para a Tribuna do Norte
Ontem, quando chegava à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, ao entrar pela Ulisses Caldas encontrei um funcionário, com idade entre 60 e 70 anos, e perguntei: o que você está fazendo aqui? Ele prontamente me respondeu com um sorriso nos lábios: “eu estou ajudando a salvar vidas humanas.” Como é isso de você estar salvando vidas humanas aqui na casa do povo? Questionei-o. Ele, de imediato, me rebateu: a Assembleia não está doando R$2.090.000,00 para o Hospital da Polícia, para colocar em funcionamento UTI’s, e também comprar equipamentos de proteção individual para ajudar àqueles que estão acometidos pelo COVID-19? Então, se alguém está aqui para digitar, se alguém está aqui para escrever, se alguém está aqui para enviar correspondência e se alguém está aqui para colocar em funcionamento o Diário Legistativo, eu estou fazendo isto, ou parte disto e, consequentemente, estou ajudando a salvar vidas humanas.
Ao terminar o diálogo com aquele funcionário e seguir minha caminhada, lembrei-me de um artigo escrito por Ernest Hemingway, quando ele foi para Cuba, onde passou o resto de sua vida. Ele estava em Havana, percorrendo uma das ruas daquela cidade, quando viu um homem colocando um tijolo sobre o outro. Aproximou-se do rapaz e questionou o que estava fazendo ali. Eu estou construindo um muro. Respondeu-lhe. Em seguida, retornou para casa e refletiu sobre aquele homem que estava construindo um muro.
Dois dias depois, tornou a andar pelas ruas de Havana, quando se deparou com um outro homem que também estava colocando um tijolo sobre outro. Aproximou-se e repetiu a pergunta: o que você está fazendo aí. A resposta também foi a mesma: eu estou construindo um muro.
Voltou para casa e ficou pensativo: quanta construção de muros, quantos tijolos em cima de tijolos.
Dias depois, retornando àquela praça bonita de Havana, viu um terceiro homem colocando um tijolo sobre o outro e aí ele perguntou: o que é que você está fazendo? Dessa vez, a resposta foi outra: Ah, eu estou construindo uma catedral.
Vejam só, três pessoas fazendo a mesma coisa. Todos com objetivos nobres, entretanto, dois talvez não tivessem consciência nobreza do seu trabalho.
Foi o mesmo retrato que eu vi quando aquele funcionário, entrando na Assembleia, afirmou que estava salvando vidas. Que ele estava ajudando a salvar vidas humanas. Que ele estava cooperando com a Casa do povo para salvar vidas humanas, e isto me encheu de orgulho.
Este funcionário estaria trabalhando na digitalização, na colocação de suporte para a TI, elaborando o Diário Oficial Legislativo, e disse que estava ajudando a salvar vidas humanas.
Esta é a colocação dupla do caráter humano. Uma, simples demais. A outra, muito mais profunda do que qualquer coisa que estivesse fazendo. Ele estava salvando vidas humanas.
É isto que a Casa do povo, por decisão do Presidente Ezequiel Ferreira, decidiu: vamos ajudar a salvar vidas humanas. E é isto que a Assembleia está fazendo: doando ao Hospital da Polícia Militar R$ 2.090.000.
Para quê? Para que façam funcionar as UTI’s. Para que se compre TI. Para que se coloque insumos necessários à preservação da vida humana. Para que se compre, urgentemente, equipamentos de proteção individual.
Esta é a contribuição da Casa do povo ao povo do Rio Grande do Norte: não é a construção de uma Catedral, mas é a salvação de uma vida humana. Isso é o que vale a pena. Isso é o que faz com que possamos dormir com a consciência tranquila, arriscando até, ao sairmos de casa, aos 50, 60, 70 anos, e pegar o corona vírus, mas poder dizermos: eu estou ajudando a salvar vidas humanas.



